Sou a melhor mãe que eu posso ser (espero que baste)

Ser a melhor mãe possível – pensamento de toda mãe. Impossível não se emocionar com os relatos de parto da Juliana e da Marcela (parte 1 e parte 2). A chegada de um novo ser humano ao mundo é mesmo um milagre.

Também tenho meu milagre. Assim como a Ju, não pude ter parto normal, e um dia antes de completar as 40 semanas foi feita a cesárea. O ultrassom mostrou uma quantidade bem baixa de líquido amniótico. Meu bebê chegou a aspirar mecônio, o que o fez ficar em observação logo após o parto. Foram as 5 horas mais solitárias e mais tristes da minha vida.

Felizmente isso não trouxe maiores consequências. E, a partir daquele momento, nascemos todos para uma nova vida: filho, mãe e pai (e avós, e tios e primos). O relato de parto completo está aqui.

A verdade é que, não importa se o parto foi normal ou cesáreo, a gente chega em casa com um bebê nos braços e precisa se virar nos trinta!

E esses primeiros meses são tão, mas TÃO INTENSOS, que até ontem eu dizia que não sentia a menor saudade deles. Mas sabe que hoje, mais de dois anos depois daquele parto, eu tô começando a sentir saudade?

É claro que não tenho saudade das milhares de noites mal dormidas. Mas lembro com carinho daquele bebê todo encolhidinho, um pontinho perdido dentro do berço, com pouco mais de 3 Kg.

Não, não sinto a menor falta de toda aquela choradeira. Mas meu coração se enche de ternura ao lembrar dos primeiros sorrisos de reconhecimento: meu filhote sabe que eu sou a mamãe – a melhor mãe.

Não gosto nem de lembrar da época em que a gente não se entendia e eu não tinha a resposta para a pergunta que todos me faziam: “o que ele quer???” Mas sinto saudades de quando o meu peito e o meu colinho resolviam todos os problemas.

Ainda é muito difícil perceber que serei mãe para sempre e que a vida antes disso nunca mais voltará. Mas igualmente difícil é imaginar minha vida sem meu pequeno por perto.

A Sociedade Brasileira de Pediatria usa o termo “bebê” até os dois anos de idade. Então, oficialmente, eu não tenho mais um bebê em casa. E juro que achei (e afirmava isso até ontem, como já disse) que nunca sentiria saudades do meu bebê. Mas parece que a Marcela tem razão e vamos esquecendo a dor e guardando só o bom dos momentos…

Agora, sentir saudade não quer dizer que eu gostaria de voltar no tempo! Não! Ao contrário de muitas mães que dizem que “filho é como vídeo game” – a fase seguinte é sempre mais difícil – eu digo que “só melhora”!

Melhora muito quando todos passamos a dormir 6 horas seguidas. Melhora muito quando não somos a única fonte de alimento deles. Melhora MUITO quando eles conseguem falar o que querem. Melhora um tanto quando eles conseguem passar um dia (ou uma noite, ou um dia e uma noite!) na casa da vovó. Melhora MUITO MESMO quando a gente consegue se entender – claro que isso nunca é 24 horas por dia, mas é a maior parte do tempo.

Lembro de que, quando estava de licença maternidade, assisti a um programa da Fátima Bernardes (taí outra coisa de que sinto saudade) em que ela dizia que o único tempo que demora a passar é o primeiro ano de vida dos filhos. Concordo. Achei que o primeiro ano demorou séculos! Vamos dizer que o segundo também não passou assim tããão rápido… Mas agora já me pego descobrindo habilidades do pequeno que parecem ter surgido do dia para a noite.

Acho que esse é o meu milagre: ir crescendo, aos poucos, com o meu filho. Porque um filho é mesmo um milagre de Deus. Faz a gente praticar muito a paciência, a compaixão, o amor. Nos faz descobrir capacidades que nem imaginávamos que tínhamos e aprender outras tantas. Faz a gente querer ser uma pessoa melhor .

Mas ainda somos apenas seres humanos. Mães e pais aprendendo a ser mães e pais. Então, não sei se sou a melhor mãe que meu filho poderia ter – nem sei se quero ser a melhor mãe do mundo (é muita responsabilidade para uma pessoa só!).

Mas sou a melhor mãe que eu posso ser. E isso me basta. Espero que baste também para o meu filho.

 

Esse texto foi originalmente publicado no Não São Gêmeos – blog da Juliana e da Marcela, cujos partos foram citados lá no começo. Mas o nome desse blog – Só Melhora – surgiu exatamente desse texto e não poderia deixar de publicá-lo por aqui também 🙂

4 comentários em “Sou a melhor mãe que eu posso ser (espero que baste)

  1. Certamente é a melhor para o Vini. Não precisa de muito tempo pra perceber isso. Parabéns pelo blog Tali. Amei todos os versos e prosas. Beijos cheios de saudades.

  2. É verdade! Um filho é um milagre, faz-nos querer ser melhores pessoas, e ao mesmo tempo vulnerabiliza-nos.
    Ainda não acredito nessa do esquecer os menos bons momentos, mas acredito um dia ser assim. A minha filha tem mês e meio e “só melhora” a cada dia que passa!

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