4 anos sendo mãe: será que a maternidade só melhora?

O Vinicius completa 4 anos amanhã. 4 anos!

Ultimamente, me percebo cada vez mais observando-o. Sim, é isso mesmo: de repente, quando me dou conta, eu estou parada no meio de algo que estava fazendo, simplesmente observando meu menino.

Coisa que só mãe de uma criança de 4 anos consegue.

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Quando o filhote é bebê, estamos demasiadamente preocupadas em atendê-lo.

Será que ele está com frio? Será que está com calor? Será que esse choro é de fome? Será que já preciso trocar a fralda de novo? Será que o meu leite é mesmo suficiente? Será que tem problema ficar tanto tempo com ele no colo? Será que demora muito para ele começar a falar?

As infinitas dúvidas do começo de vida de um filho são de enlouquecer. Sim, a chegada de um filho transforma nossa vida num caos. As pessoas não costumam falar muito sobre isso, mas esse caos leva um tempinho para passar. Nessa fase, a mãe não pensa em parar. Para falar a verdade, nessa fase, a mãe mal pensa. Ela basicamente reage. Constrói o que chamamos de instinto materno.

A gente comemora a chegada do primeiro aniversário do filho. E acredito sim que é motivo de comemoração! Não temos mais um bebê. Agora temos um pingo de gente que acha que pode sair correndo pela casa!

Aqui em casa nós chamamos de Fase Capacete. Fácil imaginar o porquê, né? Se fosse possível, deixaríamos o picurrucho de capacete o dia inteiro para evitar os acidentes domésticos. A criança de 1 ano é uma exploradora sedenta e não para um minuto! É uma fase fisicamente exaustiva para mães e pais.

A gente literalmente passa o dia correndo atrás do filhote!

Pelo menos agora ele já se faz entender. Mostra veementemente qual é a sua vontade. Sabe ser bem enfático quando não quer alguma coisa. Experimenta dar uma papinha que ele resolveu que não vai comer? Tenta dizer para a criança que está na hora de ir embora? Explica para o pequeno que o brinquedo não é seu e que ele precisa devolver para o amigo? É desse jeito que a gente descobre que aquele pingo de gente tem vontade própria!

E isso vai evoluindo rapidamente para a fase seguinte: o tal do terrible two.

Os 2 anos podem ser mesmo terríveis! Porque a gente entende que o filho ainda é pequeno demais para saber lidar com suas frustrações – muitos adultos ainda não sabem! O que a gente não entende é porque ele precisa jogar o controle remoto na nossa cabeça!

Sabe-se que filho passa a vida testando os pais.

Mas nessa fase os testes são intensivos! Num minuto ele quer mostrar que já é um menino grande que consegue comer sozinho. No outro, joga o prato de comida longe porque não conseguiu espetar o brócolis com o garfo. Numa hora a figurinha aparece com os sapatos trocados – mas tudo bem porque ele os calçou sozinho! Na outra, chora pedindo colo porque está cansado demais para caminhar.

Entre um ataque de fúria e uma birra sobram pequenos espaços de tempo com a calmaria suficiente para mães e pais admirarem seu pequeno crescendo. Mas até que nesses microssegundos a gente admira. E o ama cada vez mais.

Chegam os 3 anos e num belo dia a gente se pergunta se o filhote foi abdusido e trocado por um adolescente. Há quem chame isso de threenager – adolescente de 3 anos. Certeza que não é à toa que essa expressão existe!

Eu, pelo menos, vejo uma grande vantagem nessa mudança dos terrible twos para os threenagers: a criança para de jogar as coisas na gente e fazer o maior berreiro e passa a ficar “só” emburrada. Não é nada agradável ter um filho bicudo sentado no chão com os braços cruzados no meio do shopping. Mas é menos pior do que se ele estivesse gritando e te chutando, né?

Lembra de quando a gente queria que o filho começasse a falar logo? Pois é, essa é a fase que talvez a gente se arrependa um pouco disso. Porque uma criança de 3 anos fala demais! E não importa se é uma menina ou um menino! Eu costumo dizer que o Vinicius fala da hora que acorda até a hora que vai dormir. Meu príncipe diz que eu estou enganada, porque ele fala até dormindo!

Claro que temos conversas deliciosas sobre ele querer ser o Super Homem quando crescer. Ou sobre ele argumentar que se ele manda no quarto dele, a mamãe e o papai mandam na nossa casa, quem manda na cidade toda só pode ser o Papai Noel (?!).

Mas há momentos em que a gente simplesmente queria que filho tivesse botão de desligar.

Porque é uma argumentação que não acaba mais! Afinal de contas, como ele pode se levantar e se arrumar para ir para o colégio se o que ele queria mesmo era ficar em casa com a mamãe e o papai já que ele passa tanto tempo longe das pessoas que ele ama e não pode aproveitar para ficar juntinho vendo filme?

Ou: por que ele tem que ir tomar banho para dormir logo agora que estava na parte boa da brincadeira ou no auge do filme que ele estava assistindo e como ele vai dormir se ele ainda está com fome (mesmo depois de ter jantado, comido fruta, pão e bolo!). Eu não sei como podem sair tantas palavras de uma pessoa tão pequena!

Um filho de 3 anos já cansa a gente mentalmente. E se a gente não estiver bem ligada, ele nos enrola num piscar de olhos!

Mas é simplesmente INCRÍVEL perceber a argumentação lógica da pessoinha! O pensamento concreto, com exemplos práticos da vidinha dele nos fazem chegar à conclusão de que aquele ser que colocamos no mundo é incrivelmente inteligente. E isso dá um orgulho que até nos faz esquecer das ginásticas mentais do dia a dia.

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E aí, em algum dia nessa caminhada para os 4 anos, a gente percebe a casa em silêncio.

Primeiro leva um susto: como assim silêncio? Corre para ver o que o filhote de 4 anos está aprontando – porque certamente está fazendo alguma arte. E descobre que ele está simplesmente assistindo a seu filme preferido que ele mesmo colocou no Netflix do tablet. Desconfiada, pergunta se está tudo bem e ele responde que sim com um sorriso. E ainda te convida para juntar-se a ele no sofá.

Num outro dia, de repente, a gente percebe que parou no meio da arrumação do guarda-roupas do pequeno para observá-lo brincando com os dinossauros. Os dinossauros conversavam sobre brigar e respeitar os amigos. Chegavam à conclusão de que era possível brincar sem machucar uns aos outros (!!).

Quando o filhote de 4 anos se percebe sendo observado, para a brincadeira e corre para te dar um abraço. Junto vem aquela frase que explode o coração de qualquer mãe: “te amo, mãe”. Assim, de graça!

E quando esses momentos acontecem mais vezes do que podemos lembrar, dá até um aperto no peito! Porque percebemos que a maternidade e a parternidade tem sim muitos momentos difíceis. Mas a verdade é que sempre confirmo a minha filosofia de vida: só melhora.

4 anos pinterest

 

Esse texto é fruto de um desafio da Beatriz do Pitadinhas Maternas. A Bia me desafiou a escrever sobre algum momento em que me questionei sobre a minha afirmação de que a maternidade só melhora. A verdade é que me questiono o tempo todo! Mas quando consigo parar e olhar bem dentro dos olhos azuis do Vinicius, a dúvida vai embora no mesmo segundo.

 

Imagens: Franciele Luane Fischer (@francieleluane)

16 comentários em “4 anos sendo mãe: será que a maternidade só melhora?

  1. Vou fazer uma comparação do seu texto com um álbum de fotos, daqueles que as nossas mães davam para as visitas se refastelarem em imagens. E orgulhosas, as mães enalteciam cada momento daquela imagem congelada, o que ela representou em suas vidas. Eu enxerguei mentalmente as fotos do teu álbum, onde você revisitou cada fase do Vinicius, denotando o quanto esta evolução realmente faz sentido, como tudo melhora ao longo do tempo, mesmo que existam fotos em preto e branco, mesmo que algumas outras já estejam desbotadas, é a prova de que a maternidade só melhora literalmente, estando ali fotografadas em seu coração e na sua memória, ao reproduzir cada vivência ao lado do seu filho. Parabéns pelo texto e por aceitar a minha sugestão contestadora como pauta.

    1. Ah, Bia! Teu comentário me emocionou!
      Perfeita a metáfora do álbum (especialmente para uma scrapper, né?).
      Obrigada pelas palavras e, especialmente, pela inspiração.
      Beijo no coração!

  2. Ta amei a sua reflexão, realmente quando são pequenos quase não pensamos e vamos agindo por instinto e aos poucos nos adaptando a cada choro, resmungo, olhar. E cada fase uma descoberta nova, um aprendizado, digo que aprendemos muito mais com eles do que ensinamos.

    Parabéns pelo lindo garoto e para ele que a cada ano aproveite mais e que seja sempre feliz!

    Bjs Mi Gobbato

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