Me vejo no meu filho (ou “ele é a cara do pai”)

Logo que o Vinicius nasceu, a segunda frase que eu mais ouvia era: “ele é a cara do pai!” (a primeira era: “ele não tá com fome?” a cada vez que ele chorava). E isso, já na maternidade.

Algumas pessoas até se compadeciam da mãe, que ainda estava se recuperando do parto, e tentavam segurar as palavras. Mas depois de alguns minutos, soltavam a citada frase. Quando eu estava de bom humor, até dava uma ajudinha dizendo: “todo mundo me diz isso!” E via a expressão de alívio do meu interlocutor por não ter sido o único a apontar que o bebê não tinha nada da pessoa que o gestou por 40 semanas.

Outras pessoas usavam o argumento de que eu e meu marido somos muitos parecidos. Portanto, se o filhote era a cara do pai, devia ser também a cara da mãe. Afinal de contas, filho é uma misturinha da mãe e do pai.

Claro que os meus pais e a minha avó materna, que também é minha madrinha, sempre disseram que o achavam parecido comigo. Mas penso que havia uma mistura de “intenção de me deixar feliz” com “saudades de quando eu mesma era bebê” por trás dessa opinião.

No fim, até eu já concordava que o Vinicius era um mini Charlles (meu sogro comprovava o fato com fotos do Charlles bebê).

No álbum de recordações do bebê tinha uma parte onde deveria se escrever as características do bebê que vinham do pai e as que vinham da mãe. Eu até pensei em colocar, no que se referia a minha pessoa, que o Vinicius acordava com fome. Mas imaginei que todo bebê era assim e seria pouco original apontar isso.

Acabei escrevendo que ele tinha “dedos longos”, quase como um prêmio de consolação, já que na parte relacionada ao pai, me obriguei a registrar “fisionomia do rosto / tudo”.

Não, ver que meu filho se parecia muito com o pai não me deixava chateada. Nem um pouco. Na verdade, no meio daquele turbilhão de emoções dos primeiros meses de vida do bebê isso era uma das coisas em que eu menos pensava. A não ser pelo fato de todas as pessoas repetirem isso para mim com certa frequência.

a cara do pai 01

Bom, a verdade é que o tempo foi passando e o Vinicius foi conseguindo se expressar cada vez melhor. E hoje, eu me vejo nele. Muito. Diversas vezes me surpreendo com ele fazendo caras e bocas que eu mesma já vi refletidas no espelho.

E é muito louco se ver em outra pessoa! Sempre me assusto um pouco quando escuto uma expressão que eu uso muito vindo daquela vozinha de criança. Não tem como não rir quando o vejo reproduzindo uma expressão facial típica minha.

É quase um choque perceber características minhas aflorando nele. E é um delicioso exercício tomar consciência disso. Sei bem de onde vem a teimosia do menino… e aquela argumentação que não acaba mais para negociar… e a vontade de estar sempre no controle da situação.

E a minha cabeça vai longe… será que ele vai puxar o gosto pela música e vou voltar a ter um parceiro de concertos? Será que também vai gostar de dançar e ainda poderemos desfrutar de muitos bailes? Será que vai descobrir o gosto pela leitura e me indicará livros no futuro?

Mas ele continua a cara do pai!

(as pessoas continuam repetindo a famosa frase) Coisa que eu não acho nem um pouco ruim. Afinal, fui eu que escolhi o rosto do pai para passar o resto da vida olhando. Tudo ótimo ter mais um rostinho parecido por perto 🙂

a cara do pai pinterest

 

Esse post é dedicado a todas as minhas amigas que vivem escutando essa mesma frase “ele é acara do pai!” e que, de uma forma ou de outra, já experimentaram aquela sensação de “a gente carrega nove meses e eles acabam nascendo a cara do pai!”. Acreditem, não são poucas!

E ainda há uma variação sobre o tema, mais grave, no meu ponto de vista, uma vez que implica um outro filho (ai, que medo!): “agora vocês têm que fazer outro para ser a cara da mãe…”.

 

Alguém aí também tem um filho que é “a cara do pai”? Vocês se veem nos seus filhos? Gostaria muito de saber, me conta!

 

Confiram também o post que fiz em homenagem à resposta da Fernanda a esse texto: Eles também ficam grávidos!

6 comentários em “Me vejo no meu filho (ou “ele é a cara do pai”)

  1. Eu tenho uma filha que se parece com o pai.
    Também ouvi muito isto, “nossa é cara do pai”.
    Com o passar dos anos percebi que não era só a aparência física, mas o gosto pela música, a habilidade para escrever também a identificavam com o pai. É isto que orgulhava muito, pois amo os dois intensamente. Hoje, sei que minha vida seria sem sentido sem estas pessoas.

    1. Sim, mama, meninas também podem ser “a cara do pai” 🙂 Temos mais uma frase em comum, que sei que tua filha te disse muito e hoje meu filho repete: “quero ir para a casa da vovó” hehehehe Te amo!

  2. Perfeito Talita! Tenho 2 “a cara do pai” aqui em casa. Confesso que fico feliz pelo meu marido quando citam a tal frase, vendo a cara de satisfação dele. Afinal, a gente vive a parte mais intensa e magica de ter um filho, que é gestar. Na gestação eles tentam de todas as formas entender, participar, sentir o desenvolvimento do filho dentro do ventre da esposa (pelo menos o meu marido). Nunca irão saber realmente o que é… Por isso, fico feliz… como se fosse um prêmio (como se isso dependesse da minha autorização hehehe) Também sei que pode ressaltar primeira vista a semelhança com o pai ou com a mãe, mas no cotidiano, a “misturinha” dos pais nos filhos, fica cada dia mais clara (personalidade, gostos, gestos, feições, humor,…) Linda essa química! Beijos querida! Estou curtindo muito seu blog!

    1. Adorei essa relação, Fernanda: já que nós os gestamos, pelo menos eles nascem parecidos com o pai! Vou levar essa filosofia para minha vida 😉
      Que bom que estás gostando do blog! Adorei teu comentário e espero te ver sempre por aqui. Beijos!

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