Logo que o filhote nasceu, a segunda frase que eu mais ouvia era: “ele é a cara do pai!” (a primeira era: “ele não tá com fome?” a cada vez que ele chorava). E isso, já na maternidade.

Algumas pessoas até se compadeciam da mãe, que ainda estava se recuperando do parto, e tentavam segurar as palavras. Mas depois de alguns minutos, soltavam a citada frase. Quando eu estava de bom humor, até dava uma ajudinha dizendo: “todo mundo me diz isso!” E via a expressão de alívio do meu interlocutor por não ter sido o único a apontar que o bebê não tinha nada da pessoa que o gestou por 40 semanas.

Outras pessoas usavam o argumento de que eu e meu marido somos muitos parecidos. Portanto, se o filhote era a cara do pai, devia ser também a cara da mãe. Afinal de contas, filho é uma misturinha da mãe e do pai.

Claro que os meus pais e a minha avó materna, que também é minha madrinha, sempre disseram que o achavam parecido comigo. Mas penso que havia uma mistura de “intenção de me deixar feliz” com “saudades de quando eu mesma era bebê” por trás dessa opinião.

No fim, até eu já concordava que o filho era um mini pai (meu sogro comprovava o fato com fotos do próprio filho bebê).

imagem de uma mãe com seu filho que dizem ser a cara do pai

Filho a cara do pai frases

No álbum de recordações do bebê tinha uma parte onde deveria se escrever as características do bebê que vinham do pai e as que vinham da mãe. Eu até pensei em colocar, no que se referia a minha pessoa, que o filhote acordava com fome. Mas imaginei que todo bebê era assim e seria pouco original apontar isso.

Acabei escrevendo que ele tinha “dedos longos”, quase como um prêmio de consolação, já que na parte relacionada ao pai, me obriguei a registrar “fisionomia do rosto / tudo”.

Não, ver que meu filho se parecia muito com o pai não me deixava chateada. Nem um pouco. Na verdade, no meio daquele turbilhão de emoções dos primeiros meses de vida do bebê isso era uma das coisas em que eu menos pensava. A não ser pelo fato de todas as pessoas repetirem isso para mim com certa frequência.

Bom, a verdade é que o tempo foi passando e o pequeno foi conseguindo se expressar cada vez melhor. E hoje, eu me vejo nele. Muito. Diversas vezes me surpreendo com ele fazendo caras e bocas que eu mesma já vi refletidas no espelho.

Meu filho é a cara do pai frases

E é muito louco se ver em outra pessoa! Sempre me assusto um pouco quando escuto uma expressão que eu uso muito vindo daquela vozinha de criança. Não tem como não rir quando o vejo reproduzindo uma expressão facial típica minha.

É quase um choque perceber características minhas aflorando nele. E é um delicioso exercício tomar consciência disso. Sei bem de onde vem a teimosia do menino… e aquela argumentação que não acaba mais para negociar… e a vontade de estar sempre no controle da situação.

E a minha cabeça vai longe… será que ele vai puxar o gosto pela música e vou voltar a ter um parceiro de concertos? Será que também vai gostar de dançar e ainda poderemos desfrutar de muitos bailes? Será que vai descobrir o gosto pela leitura e me indicará livros no futuro?

Mas ele continua a cara do pai!

(as pessoas continuam repetindo a famosa frase) Coisa que eu não acho nem um pouco ruim. Afinal, fui eu que escolhi o rosto do pai para passar o resto da vida olhando. Tudo ótimo ter mais um rostinho parecido por perto!

imagem de uma mãe que se vê no filho mesmo ele sendo a cara do pai

Meu filho é a cara do pai:

  1. Ele é a cara do pai!
  2. A gente carrega 9 meses e eles acabam nascendo a cara do pai!
  3. Agora vocês têm que fazer outro para ser a cara da mãe.

Esse post é dedicado a todas as minhas amigas que vivem escutando essa mesma frase “ele é a cara do pai!” e que, de uma forma ou de outra, já experimentaram aquela sensação de “a gente carrega nove meses e eles acabam nascendo a cara do pai!”. Acreditem, não são poucas!

E ainda há uma variação sobre o tema, mais grave, no meu ponto de vista, uma vez que implica um outro filho (ai, que medo!): “agora vocês têm que fazer outro para ser a cara da mãe…”.

Alguém aí também tem um filho que é “a cara do pai”? Vocês se veem nos seus filhos? Gostaria muito de saber, me conta!

imagem de um homem escutando a barriga da mulher grávida porque eles também ficam grávidos!

Eles também ficam grávidos, sabiam?

Um dos comentários desse texto me chamou bastante a atenção – a ponto de editá-lo para complementar a informação! A Fernanda, que fez o comentário (veja abaixo), fala da tentativa do marido de entender e participar da gestação de seus filhos. Fiquei pensando sobre essa questão dos pais – os homens – ficarem grávidos.

Não posso falar tanto pela geração dos meus pais, e menos ainda pelas anteriores, mas na minha geração – e no meu círculo de convivência – os pais costumam ficar tão grávidos quanto as mães!

Vocês não concordam? Ou será que estou falando besteira? Me conta aí nos comentários!

Na nossa gravidez, por exemplo, mal descobrimos que tinha um serzinho crescendo na minha barriga e o maridão já tinha entrado em todos os sites disponíveis sobre bebê e maternidade – e vivia me dizendo o que eu podia ou não podia comer!

Tenho amigos que juram que ficavam enjoados junto com as esposas. Fora aqueles que visivelmente engordaram durante os nove meses! Ah! O sono e a falta de memória também costumam ser sentidos pelos pais tanto quanto – ou mais – que as mães.

Parece engraçado, mas todos esses exemplos são corroborados por estudos e livros. Hoje se sabe que os homens sofrem sim alterações corporais e hormonais durante a gestação de um filho.

Isso sem falar na ansiedade da espera, no acompanhamento do pré-natal, na adequação do orçamento familiar, na atenção da esposa dividida com a barriga (e depois com o bebê), dentre tantos aspectos emocionais a serem considerados.

Ou seja, eles também ficam grávidos sim!

Mas, infelizmente, a melhor parte da gestação – ter um bebê crescendo dentro de si – eles não podem saber exatamente como é. Lembro de que quando comecei a ter consciência dos movimentos do meu bebê. Isso lá pela 22ª semana de gravidez, porque antes eu simplesmente achava que eram gases! Eu mostrava para o meu príncipe a barriga, toda empolgada, e ele até ensaiava um sorriso, mas não conseguia sentir realmente esses movimentos.

Era um pouco estranho porque eu sentia o bebê mexendo e sabia que tudo estava bem – isso me tranquilizava. Mas como o pai da criança não tinha essa experiência, a ansiedade dele era maior e a expectativa para o próximo ultrassom também.

Por isso achei tão bacana quando vi um vídeo da Huggies que dizia: “E se o papai ficasse grávido?”. Isso não é publicidade (não estou recebendo nada para citar essa marca). Mas me emociona porque eu realmente queria que o meu príncipe sentisse a delícia que é ter um bebê mexendo dentro da barriga. Ok, chutando nossas costelas e esmagando nossos órgãos internos também, faz parte do pacote.

Mais para o final da gestação, eu vivia com a mão na barriga e me achava linda com aquele barrigão, mesmo mexendo. Já o pai da criança se assustava e dizia que parecia que eu tinha um aliem dentro de mim!

E o comentário inspirador desse texto vai além: a Fernanda se diz feliz com o fato dos filhos serem fisicamente parecidos com o pai. Ela vê essa manifestação genética como um prêmio para o pai – que não pode vivenciar plenamente a gestação do filho.

Como vocês sabem, tenho um filho que é “a cara do pai”. Então, adorei esse jeito de pensar: já que nós os gestamos, pelo menos eles nascem parecidos com o pai!

imagem de pai, mãe e filho na fase bebê para mostrar que filho é igual a misturinha da mãe e do pai

Filho = misturinha da mãe e do pai (concorda?)

Levando-se em conta que uma criança recebe 50% da carga genética de cada um dos pais, seria óbvio imaginar que um filho seja uma misturinha da mãe e do pai, né?

Só que essa misturinha não está sempre na marca dos 50%. As características da mãe e do pai não estão sempre em equilíbrio. Às vezes, o filho nasce a cara de um, mas quando cresce fica mais parecido com o outro. Às vezes, fisicamente se parece com um, mas o gênio é do outro.

Nós, pais, ficamos na torcida de que o filhote receba as qualidades da mãe e do pai – e não os defeitos. Claro que na vida real isso não acontece!

Como falei anteriormente, uma das frases que eu mais ouço por aí é “ele é a cara do pai!”. (Sim, eu ainda escuto isso!). Mas não vou negar que adorei a repercussão da foto abaixo que eu publiquei no Instagram:

imagem de mãe e filha - filha a cara do pai frases

Muitos amigos da vida real e da internet comentaram que, nessa foto, eu parecia o meu filho de cabelo cumprido! Verdade seja dita, alguns comentários desse texto (veja abaixo) também mencionam que o filhote se parece comigo – reparem que escolhi bem a foto em destaque deste post.

É impossível frear o sentimento que quase nos faz explodir de orgulho quando outras pessoas dizem que o filho se parece com a gente.

É claro que vemos mais qualidades que defeitos nos filhos. E claro que levamos esse tipo de comparação como um elogio.

Por outro lado, meu esforço constante é para ver o filhote não como uma mistura minha e do meu príncipe. Mas como um ser único e diferente. Por mais que ele tenha características físicas e de personalidade minhas ou do seu pai, ele tem um jeito todo específico de ser – que é só dele.

À medida que ele vai crescendo, isso vai ficando cada vez mais claro para mim. Mas é um exercício constante, enxergar a essência do menino. E não compará-lo com tal característica do pai dele ou tal atitude minha.

E como é lindo perceber que ele tem os olhos do pai e o sorriso da mãe. E a junção disso se transforma na expressão única do seu rosto!

E como é menos pesado perceber que aquela birra não é necessariamente culpa minha ou do meu príncipe – seja por genética, seja por educação. Mas uma etapa necessária do desenvolvimento do filhote.

Mas isso não impede que continuemos com a brincadeira de “ele é a cara do pai” ou “ele é a cara da mãe”! Resolvi colocar algumas fotos lado a lado para vocês tirarem suas próprias conclusões:

imagens de pai, do filho e da mãe quando todos eram bebês
Charlles – Vinicius – eu

A foto da esquerda é do Charlles e a da direita é minha. A do centro é do Vinicius.
Deixem nos comentários com qual de nós dois ele é mais parecido!

Lembrando que essa brincadeira refere-se apenas a aparência nessas fotos! Na vida real, o pequeno é muito melhor que eu. Muito melhor que o pai e muito melhor que nós dois juntos: ele é o Vinicius.

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