Outro dia li uma expressão que achei perfeita: confusão de cabeça de mãe.
A frase apareceu em um texto da Marcela, do antigo blog Não São Gêmeos, e imediatamente pensei: é exatamente isso.
Cabeça de mãe é confusa mesmo.
Aliás, se a sua não é, precisamos conversar.
E não é só porque hoje temos acesso a muita informação ou porque sempre tem alguém pronto para dar um pitaco. É porque, quando se trata de maternidade, a teoria raramente sobrevive intacta ao encontro com a prática.
A verdade é que toda cabeça de mãe é composta por uma mistura de sentimentos.

Índice
Sim, cabeça de mãe é confusa
Logo nos primeiros dias de vida do bebê somos invadidas por um amor enorme — talvez o maior que já sentimos.
Mas junto com ele vêm muitas outras emoções.
Existe a felicidade de finalmente ter aquele serzinho nos braços.
Mas também existe o cansaço.
A insegurança.
O medo de errar.
Queremos amamentar exclusivamente e em livre demanda.
Mas também queremos que o bebê durma a noite inteira.
Queremos manter viva a chama do casamento.
Mas também queremos vestir um moletom confortável e simplesmente dormir.
Queremos voltar à nossa vida profissional.
Mas também queremos estar presentes em cada nova conquista do desenvolvimento do bebê.
Lembro que, nos primeiros meses, pensei muitas vezes:
“Será que eu poderia ser mãe só de manhã?”
A cada fase uma nova confusão
Conforme o filho cresce, as dúvidas mudam — mas a confusão continua.
De repente precisamos decidir, por exemplo, se o melhor é deixar a criança no colégio em período integral (como contei melhor [neste texto]) ou mantê-la meio período em casa.
Queremos tomar decisões responsáveis e coerentes, mas também precisamos aceitar que nosso filho vai construir relações próprias com o mundo.
Para mim, por exemplo, foi difícil entender que:
- minha relação com meus pais é uma
- minha relação com meu filho é outra
- e a relação dele com os avós será algo completamente diferente.
Também não é simples deixar duas crianças resolverem sozinhas quem vai ficar com o brinquedo — correndo o risco do meu filho sair perdendo ou até chorando.
Independência x proteção
Depois vem outra fase.
Queremos incentivar a independência…
mas temos medo de que eles se machuquem.
Incentivamos que brinquem na rua…
mas ficamos atentos ao parquinho.
Queremos que tenham opinião…
mas ainda queremos protegê-los do mundo.
E muitas vezes percebo que me vejo nele — como contei naquele texto sobre como me reconheço no meu filho.

A saudade da vida de antes
Existe também um sentimento sobre o qual nem sempre se fala: a saudade da vida antes da maternidade.
Quem consegue explicar que podemos agradecer todos os dias pela bênção de ser mãe de uma criança maravilhosa e, ao mesmo tempo, sentir saudade de como era a vida antes?
Saudade de sair sem hora para voltar.
Saudade de viagens improvisadas.
Saudade de programas a dois.
Mas então olhamos para aquela pequena pessoa e pensamos:
como a vida seria completa sem ela?
Muitas vezes eu acho o filhote confuso porque, ao mesmo tempo em que ele quer comer e tirar os sapatos sozinho, ele pede colo para ver um filme ou quando está cansado. Mas mais confusa ainda sou eu, que me esforço para criar um filho consciente e independente, mas morro de medo de perdê-lo pelo mundo. Já me peguei perguntando: “filho, não queres voltar para a barriga?” Ao que ele respondeu: “mamãe, eu não ‘cabo’ mais na sua barriga!”
Minha caminhada como mãe ainda é pequena, mas percebo que essa confusão teima em permanecer na cabeça das mães. Minha mãe, que já tem bem mais de 30 anos nessa estrada, ainda experimenta esse mix de emoções. Por um lado ela quer se fazer sempre presente na minha vida (incluindo minha vida enquanto mãe). Por outro não quer ser invasiva e intrometida. Ela diz que ama seu neto, mas que não devo esquecer que eu é que sou sua filha, não ele. (Te amo, mama!)
É como diz aquela campanha publicitária: o que nós vamos ser quando nossos filhos crescerem? Continuaremos a ser suas mães. E continuaremos com nossos sentimentos misturados. E continuaremos com nossa cabeça confusa.

Culpa em cabeça de mãe
Se a cabeça de mãe já é confusa por natureza, existe um ingrediente que costuma intensificar tudo: a culpa.
Quer ver um exemplo?
Semana passada o filhote começou com febre.
Começou na sexta à noite e a madrugada foi difícil. No sábado de manhã acabamos ficando na cama mais tempo do que o normal — um pouco para recuperar o sono perdido e um pouco porque ele ainda não estava bem.
Eu estava até gostando daquele momento de preguiça.
Mas, claro, a culpa estava lá.
Afinal, eu estava aproveitando aquele descanso porque meu filho estava doente.
A culpa aparece em todo lugar
O fim de semana continuou meio arrastado.
Ele queria colo o tempo todo e acabamos passando bastante tempo no sofá vendo filmes.
Antes da maternidade, esse seria um programa perfeito para mim.
Mas agora eu não conseguia aproveitar completamente.
A culpa não deixava.
Depois veio outra.
Como cozinhar não é exatamente meu passatempo favorito — e com um filho doente tudo fica mais difícil — fiz apenas refeições simples, daquelas que saem do freezer direto para o forno.
Pronto.
Lá estava ela de novo: a culpa por não oferecer a refeição mais nutritiva do universo.
E quando parece que piora
No domingo levamos o pequeno ao pronto atendimento.
A enfermeira perguntou desde quando ele estava com febre alta.
Quando respondi, a expressão dela parecia dizer exatamente aquilo que eu já estava pensando:
“Será que eu deveria ter vindo antes?”
Mais culpa.
Na segunda-feira ele já estava melhor e fomos ao parquinho perto de casa.
Cinco minutos depois de começar a brincar… ele tropeçou e caiu de boca no chão.
A culpa naquele momento atingiu um nível quase astronômico.
Por que eu inventei de sair de casa?
A cabeça de mãe continua confusa
No dia seguinte deixei o filhote no colégio.
Ele ficou chorando.
Eu saí correndo para o trabalho.
Enquanto dirigia, tentando não chegar atrasada à reunião da manhã, senti a culpa escorrer devagar pelos olhos.
Talvez seja inevitável.
Talvez existam duas grandes verdades sobre a maternidade:
- cabeça de mãe é confusa;
- cabeça de mãe convive com a culpa.
Talvez seja normal
Se o filme Divertida Mente se passasse dentro da cabeça de uma mãe, tenho certeza de que a Culpa seria uma das personagens principais.
Sempre cutucando as outras emoções no nosso centro de controle.
Eu não gosto muito daquela frase que diz que “junto com a maternidade nasce a culpa”.
Mas também não posso negar que ela aparece com frequência.
Talvez o importante seja apenas uma coisa:
que a culpa fique apenas na cabeça.
E nunca chegue a ocupar o lugar do amor que sentimos pelos nossos filhos.
Talvez essa seja uma das grandes verdades da maternidade: nossa cabeça nunca fica completamente em ordem. Amor, medo, saudade, orgulho, culpa e alegria convivem no mesmo espaço — às vezes todos ao mesmo tempo.
Mas talvez não seja um problema ter uma cabeça confusa. Talvez seja apenas o sinal de que estamos tentando amar nossos filhos da melhor maneira que conseguimos.
Atualizado em 10 de março de 2026
Confusão de cabeça de mãe (você também se reconhece nisso?)
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Talita Rodrigues Nunes, 43 anos, casada com meu príncipe Charlles, mãe do Vinicius, de 11 anos. Acredito que com ORGANIZAÇÃO e POESIA a vida Só Melhora!
Muito boa essa troca entre nossos blogs! 😉 Estamos acompanhando o Só Melhora e curtindo bastante. Parabéns! Beijos
Tamu junto, meninas! 😉