Vergonhas de mãe moderna (vocês têm alguma?)

Mãe é um ser engraçado, né? E eu não estou falando simplesmente das confusões que reinam em nossas cabeças. Mas é que de vez em quando temos umas bobeiras, umas vergonhas de mãe, que eu nem sei explicar direito.

Bem no comecinho da vida do meu filho, estava conversando com uma amiga (também recém-chegada à vida pós maternidade) sobre cólicas de bebê e os possíveis tratamentos para aliviar a dor.
Falávamos sobre o que o pediatra de cada filhote tinha indicado, o que tínhamos lido neste e naquele site, o que outra amiga havia contado.

Em meio a esse monte de informações, a sogra dessa amiga, que estava conversando com a minha sogra na mesma sala que nós, entra na nossa conversa:

– No nosso tempo não era assim.

Eu já fiquei atenta, quase peguei um papel e uma caneta para anotar mais um dado importante para solucionar a questão da cólica, acreditando que estaria por vir o nome de um medicamento tradicional ou uma técnica antiga. Mas não foi nada disso:

– A gente simplesmente ia fazendo o que achava certo. Não ficava perguntando para médicos ou procurando no Google.

Na época não dei tanta importância para essa colocação, mas agora fico refletindo sobre como a gente acaba complicando coisas que poderiam ser mais fáceis.

E me peguei pensando em várias vergonhas de mãe que já ouvi muitas amigas – e eu mesma – confessarem baixinho. Vê se vocês não concordam comigo:

 

1. Oferecer o bico (chupeta):

Tenho uma amiga muito querida – e supermãe – que morre de vergonha de dizer que deu o bico para o filho (nem tira fotos do filhote com o bendito para não ter “provas” do crime). Exageros à parte, só a gente sabe o quanto nosso pequeno chora à noite e os artifícios que temos para contornar a situação. Depois vai ter outro trabalho para tirar? Talvez – por aqui não foi tão complicado assim dar adeus ao bico. Mas, “cada agonia no seu dia”, como diz o meu príncipe.

2. Dizer que o filho acorda de noite:

Existem tantos livros e técnicas por aí para treinar o bebê a dormir a noite toda que, sinceramente, eu mesma já senti vergonha de falar que o meu filho acorda de noite (ainda hoje, com quase 3 anos). Aqui em casa temos uma teoria: sempre que comentamos com quer que seja que o pequeno está dormindo bem à noite, ele começa a dar trabalho de madrugada. A contrario senso, melhor não dizer nada – ou falar que ele dorme mal!

3. Dar o peito para voltar a dormir:

Sim, porque milhões de pessoas dizem que não se deve acostumar o bebê a dormir no peito. Pode mesmo ser mais benéfico não fazer a associação peito x sono, mas só a mãe – especificamente a mãe, nesse caso – pode decidir se dar de mamar é o melhor jeito de fazer seu filho voltar a dormir. E se for, por que não fazer desse jeito?

4. Deixar dormir na sua cama:

Essa foi uma das minhas maiores vergonhas de mãe por um bom tempo. Isso porque o Vinicius dormiu a noite toda no berço, sozinho, por um bom tempo. Então, ter ele dormindo na minha cama me parecia um retrocesso. Mas cansei de lutar e me rendi ao fato de que às 4 da manhã eu não quero educar ninguém. Quero simplesmente voltar a dormir o mais rápido possível (e deixar que meu filho sinta-se seguro no meio dos pais).

5. Dar papinha “pronta”:

Não é o meu caso, mas tenho algumas amigas que se cobram muito por não poder cozinhar sempre e ter que oferecer potinhos industrializados para o filho. É preciso dizer que há ótimos produtos no mercado que podem sim valer como uma boa refeição para os pequenos. (eu bem que queria que o Vinicius aceitasse esse tipo de produto – quebraria muitos galhos por aqui –, mas ele não gosta)

6. Deixar comer açúcar:

Não me entendam mal, sou totalmente a favor da alimentação saudável! Acho sim um absurdo oferecer refrigerante na mamadeira. Por outro lado, permitir que o filhote experimente um docinho no seu aniversário de 1 ano ou coma um chocolate na Páscoa não vai matar ninguém, né? Não precisamos sentir vergonha – nem culpa – por isso, certo?

7. Sentir saudade da vida antes da maternidade:

Esse é um ponto que repito bastante aqui no blog e nas conversas com as minhas amigas. Sentir saudade da vida antes de ter filhos não deve ser vergonha para ninguém! Ainda mais se a vida pré maternidade era boa. De forma alguma isso significa que nos arrependemos de ser mãe ou pai, muito menos que não amamos nossos filhos. Como diz esse texto da Marcela (do Não São Gêmeos): tudo bem se sentir cansada, “mãe também é gente”!

 

Minha intenção com esse post não é causar nenhuma polêmica. Muito pelo contrário: é dizer – repetir, na verdade – que o certo na maternidade (e na vida) é o que funciona para a sua família. E se funciona para ti, não há porque se envergonhar.

Menos vergonhas de mãe.

Menos culpa e mais respeito – por uma maternidade mais leve e menos complicada.

 

Agora me conta aí que outras vergonhas eu poderia acrescentar nessa lista? Quais dessas vocês já sentiram e – graças a Deus – superaram?

6 comentários em “Vergonhas de mãe moderna (vocês têm alguma?)

  1. Menina, me vi em um monte, deixei a culpa no bolso de trás e decidi fazer o que eu julgava ser necessário, até porque não dá para blindar a Melissa de tudo o tempo todo. Temos que ser mais flexíveis, com consciência logicamente.
    E não é vergonha alguma admitir que sente falta da vida antes de ser mãe, porque não é dizer que não ama seu filho.
    ótimo texto!

  2. Que coisa boa ler um relato assim, a internet (e a vida aqui fora tb) está tão cheia de super mães, a gente lê aqueles relatos de mães que fazem tudo sempre certo, chupeta nunca dei! Ele não dorme no peito, não tenho problemas pra fazer as coisas em casa com o bebê, vixiii tantas coisas pra abalar a nossa, já tão abalada, confiança. É um alento saber que existem mães imperfeitas como eu.

    1. Ai, Tamy… comentários carinhosos assim como o teu é que fazem esse blog valer a pena!
      Mães imperfeitas – a gente vê por aqui!
      Gosto mesmo de ecrever sobre maternidade real. Aproveita que tem muito disso aqui no Só Melhora.
      E espero sempre poder contar com tua visita e contribuição.
      Seja bem-vinda e sinta-se à vontade!

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