Não está fácil para ninguém. O momento é tenso e difícil para a grande maioria das pessoas.

Vale a pena entender melhor a situação de uma parcela significativa da população. Estou falando de mães que ficaram sem renda nessa fase difícil de pandemia. Confere o texto abaixo da Raíssa Martins Couto sobre o assunto.


imagem de um mãe sem renda com um bebê no colo

92% das mães que vivem em periferias dizem que terão dificuldade em comprar alimentos após um mês sem renda

Entenda mais sobre a situação das mães nas favelas neste momento de pandemia e distanciamento social.

A pesquisa “Coronavírus — Mães da Favela”, realizada pelo Data Favela em conjunto com o Instituto Locomotiva, revelou que nove em cada dez mães enfrentarão grandes dificuldades em adquirir alimento após um mês sem renda.

O levantamento de dados feito em 260 favelas no Brasil mostrou também que existem cerca de 5,2 milhões de mães vivendo nesses locais com uma média de 2,7 filhos para cada. A maior parte dessas mulheres não tem uma reserva financeira, por isso não poderá manter o padrão de vida durante o período sem receber nenhuma renda.

Com a alta nos casos de coronavírus, há uma preocupação maior com a contaminação pela doença e a necessidade de fazer quarentena para evitar a disseminação. Entretanto, essas mães precisam sair de casa para garantir uma renda mensal para alimentar seus filhos. Entenda melhor o caso.

Impacto na rotina

O mundo inteiro está se transformando para se isolar e evitar a contaminação pela COVID-19, inclusive o Brasil. Isso impactou, profundamente, a rotina de mães solo, principalmente nas favelas do país.

Segundo a pesquisa, nove em cada dez mães já precisaram mudar algo em sua rotina por causa da pandemia. A única forma que essas mulheres têm para sustentar seus filhos é por meio de algum emprego ou renda.

Celso Athayde, fundador da Central Única de Favelas (CUFA) e também do Data Favela, comentou o caso. Em entrevista para o site da IstoÉ, ele disse que é preciso garantir algum tipo de renda para as mães que não podem trabalhar nesse momento. Ainda segundo ele, a ajuda precisa vir do Estado ou da sociedade.

Benefício do governo

Um benefício no valor de R$ 600,00 foi aprovado pelo governo para ser pago a profissionais informais que não estão conseguindo trabalhar em meio a essa crise da Saúde. Já as mães chefes de família poderão receber o valor de R$ 1.200,00 para sustentar suas casas.

A medida seria uma forma de manter a economia no país e evitar que as famílias fiquem sem nenhum tipo de renda. Entretanto, a ação gerou muitas discussões antes de ser aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Aumentos dos gastos em casa

Outra questão que a pandemia e o distanciamento social trouxeram foi em relação ao aumento dos gastos das famílias. Isso aconteceu, pois, com as crianças em casa,  sem poder ir para a escola, o consumo de água, energia e comida aumentou.

Além disso, os pais e responsáveis também enfrentam dificuldade em trabalhar, porque precisam cuidar das crianças que estão sem aulas. Segundo o levantamento, 37% das mães que residem nas favelas atuam como autônomas e 15% possuem carteira assinada.

Athayde comentou que é a primeira vez que ele vê a sociedade ter um olhar mais aprofundado para a favela, independe da motivação. Segundo ele, mesmo sendo por medo das consequências da pandemia e da disseminação do coronavírus no Brasil, o importante é o surgimento desse sentimento mais humanitário para com as comunidades e seus habitantes.

Campanha ‘Mãe de Favela’

O levantamento citado foi realizado como uma das ações da campanha “Mães de Favela”, que visa conseguir recursos para que sejam entregues às mães das comunidades em todo o Brasil.

A campanha também recebeu o apoio de pessoas do meio artístico, como o cantor Lulu Santos, Taís Araújo e Lázaro Ramo, entre outras personalidades. O objetivo é que as mães recebam cerca de R$ 120,00 ao mês.O pagamento será feito por meio do celular, no aplicativo PicPay, que firmou parceria com a campanha. O cadastro das mães deverá ser feito com o número do CPF por telefone.