Sim, é isso mesmo que vocês leram. Eu afirmei que meu filho chega atrasado no colégio. E não é só às vezes, não; são todos os dias. E eu não tenho vergonha nenhuma em confidenciar isso porque tenho bons motivos para fazê-lo. Olha só:

  1. Ele tem 2 anos de idade;
  2. Ele fica em período integral;
  3. Acordar cedo durante a semana não é muito fácil;
  4. Eu tenho certa flexibilidade de horário no trabalho;
  5. Fazer as coisas correndo não funciona muito bem com o meu “eu pós maternidade”;
  6. Nós gostamos de ir caminhando;
  7. Eu prefiro não apressá-lo – deixe que chegue atrasado no colégio!

Tudo bem chegar atrasado no colégio

imagem de um menino pequeno brincando no colégio

1- Ele tem dois anos de idade.

Não é o mais romântico dos motivos, mas é um fato. Meu pequeno tem dois anos e quatro meses e frequenta a chamada “Educação Infantil”.

Tenho ciência de que há atividades a serem realizadas e que a rotina diária do colégio é importante para sua organização e desenvolvimento, mas também sei que, nessa fase, não existe um conteúdo obrigatório a ser aprendido. Ele não vai ficar “perdido na matéria” por chegar atrasado no colégio.

2- Ele fica em período integral.

Depois que mudamos de cidade, perdemos a babá maravilhosa que tínhamos e não encontramos outra pessoa tão bacana para ficar com o filhote parte do dia (quem sabe se ela ler esse post não muda de ideia e volta a trabalhar conosco? Sonhar não custa nada!).

Como tanto eu quanto o maridão trabalhamos o dia todo e moramos longe dos nossos pais, só nos restou a opção de deixá-lo no colégio em período integral. Ele fica quase 9 horas por lá – eu o deixo entre 8:30 e 9:00 e buscamos às 17:30. Então, sinceramente, não ligo muito se ele chegar meia hora (ou um pouco mais) além do horário de entrada.

3- Acordar cedo durante a semana não é muito fácil.

Não sei como é por aí, mas, pelo menos na minha casa, ocorre um fenômeno inexplicável: o filhote desperta com a corda toda – e sempre cedo – nos sábados de manhã e nos domingos, mas, durante a semana, o comum é eu ter que acordá-lo para se arrumar para ir ao colégio. Se vocês souberem a resposta para esse enigma, por favor, me contem!

Por outro lado, não posso jogar a culpa toda em cima dele. Quando temos uma noite particularmente difícil, até eu – que não costumo ter problemas para acordar cedo – quero desligar o despertador e ficar mais um pouquinho na cama. Resultado: acabamos saindo de casa ainda mais tarde nesses dias.

4- Eu tenho certa flexibilidade de horário no trabalho.

Trabalho o dia todo e tenho uma carga horária a ser cumprida, mas não há uma rigidez extrema no meu horário de entrada. Se eu chegar um pouco mais tarde, posso sair um pouco mais tarde ou reduzir o tempo do almoço e tudo bem.

Como sou eu que levo o filhote no colégio (meu príncipe – o pai do filhote, no caso – demora um pouco (muito!) para acordar), um atraso na chegada ao colégio gera basicamente um atraso a minha chegada ao trabalho mas, como eu já disse, isso não nos traz maiores problemas.

5- Fazer as coisas correndo não funciona muito bem com o meu “eu pós maternidade”.

Eu me considerava uma pessoa bem ágil antes da maternidade. Agora já não posso dizer o mesmo. Aliás, durante a gestação já senti que meu ritmo caiu drasticamente. Eu levava muito mais tempo para fazer coisas simples e acabava tendo que refazer algumas por tê-las feito da forma errada (tipo colocar a blusa de trás para frente!). Me achava linda, sim; mas meio tansa também.

Depois que o Vinicius nasceu, eu até que retomei meu ritmo biológico normal, mas agora preciso arrumar um pequeno serzinho que não para quieto além de mim. Tentei compensar o aumento da demanda com a rapidez na prestação do serviço, mas não funcionou. Eu acabava sempre esquecendo alguma coisa e tendo que voltar para buscar, ou pior, rolando escada abaixo com ele no colo e um monte de bolsas espalhadas pelo chão. Conclusão: correria não funciona.

6- Nós gostamos de ir caminhando.

Não é sempre que dá, mas quando não está chovendo e o frio nos permite, gostamos – eu e o pequeno – de ir caminhando para a escola. É um trajeto de aproximadamente 10 minutos de caminhada – minha, porque ele, normalmente, vai sentado no carrinho – sem fazer curvas e por ruas tranquilas. É uma delícia! Vamos conversando. Na verdade, eu mais escuto que falo porque quase nunca sobra tempo para mim no meio da tagarelice do menino!

Ele fala das cores das flores pelas quais passamos pelo caminho; dá bom dia para os cachorros que encontramos; agradece aos carros que param para nós atravessarmos a rua; reclama dos carros que estacionam em cima da calçada, dificultando nossa passagem. Que mãe não preferiria curtir tudo isso a simplesmente colocar o filho no carro e chegar ao destino em 5 minutos?

7- Eu prefiro não apressá-lo.

Já repeti muito “Anda, Vinicius!”, “Vamos, filho!”, “Corre, que estamos atrasados!”, mas depois que li o texto da Rachel Macy Stafford tenho me policiado diariamente para não fazê-lo mais. Para quem ainda não o conhece, recomendo fortemente a leitura. Isso porque cada pessoa tem seu ritmo e precisamos respeitar isso.

Cada criança tem seu tempo não apenas para atingir os marcos do desenvolvimento, mas também para executar as tarefas diárias. Então, atualmente, se o Vinicius demora 30 minutos para comer o pão com requeijão no café da manhã, eu aproveito para postar um “bom dia” no Instagram.

Se ele leva 20 minutos para chegar da cozinha até o quarto (porque vai brincando pelo caminho), eu já vou separando o uniforme. Se ele leva 10 minutos para escolher o sapato que quer colocar, eu penso que estou deixando meu filho fazer suas próprias escolhas. Simplesmente prefiro não apressá-lo.

Não tem problema chegar atrasado no colégio.

Não, não gosto de chegar atrasada nos nossos compromissos. E não me orgulho quando isso acontece. Mas antes de ser mãe eu não entendia por que as pessoas que têm crianças chegavam SEMPRE atrasadas. Por que elas não acordam mais cedo? Por que não saem antes?

Agora eu entendo. E espero que esse texto possa ajudar outras pessoas a entender também. Afinal de contas, não tem tanto problema assim chegar atrasado no colégio, né?

Vocês também vivem apressando seus filhos? Quem consegue não chegar atrasado no colégio ou em outros compromissos? Conta aqui embaixo nos comentários (ou no Instagram ou no Facebbok).

imagem de um despertador para os sábados de manhã

Já tá de dia, mamãe! (sobre os sábados de manhã)

Típica cena de sábados de manhã na minha casa: filhote na minha cama (ele está numa fase em que dorme a última horinha de sono – ou últimas horinhas de sono, dependendo da noite – na minha cama), começa a se remexer (nessa hora rezo para que seja só mais um sonho agitado do pequeno – puro desejo porque já sei que não é), quase que num salto ele se senta e coloca aquela mãozinha quentinha no meu rosto, dizendo: “Já tá de dia, mamãe!”

Entendo bem o que essa frase quer dizer. Significa: acabou o sossego, os sábados de manhã nunca mais serão os mesmos de antes da maternidade, manda a preguiça para outro lugar que aqui ela não tem mais espaço.

E aí, meu bem, começa o dia! Sem dó nem piedade. Sabem como é? Pois é, eu também.

O que mais me intriga é que esse fenômeno só acontece nos finais de semana. Sábados de manhã. Domingos de manhã. Durante a semana, na grande maioria dos dias, eu é que tenho que acordar o pequeno para arrumá-lo para ir ao colégio.

E nem sempre é fácil! Tá bom, tá bom, sendo sincera: nunca é fácil. Normalmente uso uma tática que funciona muito bem com o pai do filhote – no caso, o meu príncipe – que podemos chamar de “acordar pela barriga”.

Acordar cedo x chegar atrasado no colégio

Eu sou uma daquelas pessoas que quando acorda, acorda e ponto. Mesmo quando não quero, se alguma coisa chama minha atenção – leia-se “filho” – eu desperto e é difícil voltar a dormir.

Meu príncipe não é assim. Depois que ele abre o olho, de manhã, ainda leva algum tempo – geralmente mais de uma hora – para acordar. E para acordar “mesmo”, ele precisa tomar um banho e comer alguma coisa.

Já disse que meu filho é a cara do pai? Pois é, durante a semana, acabo levando uma mamadeira para ele tomar na cama e acordar aos poucos, enquanto me arrumo. Mesmo assim já escuto o tradicional: “Posso dormir mais um pouquinho?” quase que diariamente.

E aí, não consigo impedir, fico secretamente – e às vezes declaradamente mesmo – desejando que essa preguiça apareça nos sábados de manhã E nos domingos, quando vou poder responder: “Sim, meu amor! Vamos dormir mais um pouquinho!”.

Adivinhem se é assim que acontece? Claro que não! Posso contar nos dedos da mão – sim, no singular – quantos finais de semana pude ficar na cama até mais tarde depois que o pequeno entrou para nossa vida.

Final de semana ninguém chega atrasado no colégio!

É engraçado perceber como essa questão de dia x noite funciona na cabecinha dele. Desde muito cedo, provavelmente desde sempre, eu digo para ele que se dorme de noite e se brinca durante o dia. Esse papo começou quando ele era recém-nascido e queríamos voltar a dormir à noite, pelo menos mais de duas horas seguidas.

Mas o fato é que esse conceito deve ter ficado bem gravado, porque atualmente ele solta umas assim: “Ai, mamãe… já tá ficando de noite. Vamos ter que dormir de novo!” (ainda estou estudando se esse “de novo” se refere a “outra noite” ou a “outra soneca”, porque o pequeno ainda dorme depois do almoço).

Agora o que está claro é que ele faz uma relação de oposição entre brincar x dormir. Imagino que seja essa mesma relação que ele faça quando me acorda, num sábado, às 7:00 da manhã.

Sábados de manhã:

– Já tá de dia, mamãe.
– Eu sei que já está de dia, filho, mas quero dormir mais um pouquinho.
– Mas já tá de dia! Acorda!
– Tá bom, tô acordada. (tentado abrir os olhos e olhar para o serzinho falante)
– Mas já tá de dia! Levanta! (entenderam, né? Não adianta estar acordada, é preciso estar a postos para começar a brincadeira)

Pelo menos nesses dias frios, tenho conseguido que a brincadeira comece na cama e ficamos um tempinho nos curtindo por ali mesmo. Tem beijo de bom dia na mamãe, no papai, para a Loly (nossa schnauzer). Tem histórias do que aconteceu no colégio e do que ele quer que fazer no finde. Tem retrospectiva dos melhores momentos dos filmes preferidos. Tem lista de todas as pessoas da família com quem ele quer falar pelo computador.

Alguém aí disse que mãe de menina é que sofre com a falação? Eu sou mãe de menino, mas o meu fala desde que acorda até a hora que dorme! (e às vezes até dormindo, como gosta de destacar o pai).

Ainda lançamos mão de alguns artifícios como café da manhã na cama e filminho debaixo da coberta (santo Netflix!). E depois de toda essa maratona, consigo levantar já cansada, no máximo, às 9:00. E ainda temos todo o final de semana pela frente!

Como são os sábados de manhã por aí? Esse fenômeno também acontece na casa de vocês? Comentem aí embaixo e sintam-se todas abraçadas!

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