Coisas que meu filho me ensina: o óbvio tem que ser dito

Não sei exatamente onde li ou ouvi isso, mas concordei com a ideia e tentei colocá-la em prática na minha vida: muitas vezes, mesmo sendo óbvio, é bom deixar dito. É bem possível que tenha sido na faculdade, época em que eu refletia bastante sobre quem eu sou e quem gostaria de ser.

É bom deixar dito: para que não haja falsas suposições, para que o outro saiba exatamente o que pensamos. Supor que o outro já sabe é temerário.

Melhor falar, mesmo que pareça óbvio.

Mas aí a vida nos atropela, o tempo passa e a gente esquece. Até que um carinha de dois anos de idade chega para a mamãe aqui e diz: “Oi! Sabia que eu cheguei, mamãe?”. Não, não é uma metáfora. O Vinicius me diz MESMO essa frase quando volta de algum passeio com o papai ou com os avós.

A reação reflexa que eu tinha era: “Claro que eu sabia, filho. É óbvio! Estou te vendo aqui!”. Mas conforme a frase continuava sendo repetida, eu fui lembrando daquela reflexão lá de trás, de que o óbvio também tem que ser dito.

O pequeno, com sua sabedoria de 2 anos, precisava se certificar de que eu tinha visto que ele chegara – e agora, deveria dar atenção para ele. E assim ele faz, em vários outros momentos:

“Já tá de dia, mamãe!” Mesmo que o sol esteja aparecendo pela fresta da cortina, ele necessita da confirmação de que podemos levantar para começar o dia (principalmente nos sábados de manhã).

“Sabia que eu já tô grande, mamãe?” Para mim isso nem era tão óbvio assim, mas ele fez questão de externalizar, como naquele episódio da troca do berço pela cama, lembram?

“Sabia que eu te amo, mamãe?” Como não morrer de amor? É claro que eu sabia, mas é TÃO bom ouvir! Fala de novo, filho, fala!

E assim meu pequeno menino grande vai me ensinando – relembrando – que o óbvio tem sim que ser dito.

Não apenas para evitar que enganos se perpetuem. Porque em alguns momentos a outra pessoa pode ter entendido errado o que dissemos, sim, e não custa nada repetir, de outra forma que seja, para ter certeza de que a mensagem foi compreendida.

Mas também, simplesmente, para fazer o outro feliz. Não tenho dúvidas de que meu filho sabe que eu sei que ele me ama, mas ele também sabe o quanto fico feliz em ouvi-lo dizer as palavras exatas.

Por valorizar tudo isso, reforço o ensinamento para ele: “A mamãe fica feliz quando tu falas isso, filho”. “O papai adora quando tu dizes que gosta dele.” “O vovô fica muito alegre quando tu falas que adoras ir na casa dele.” “A vovó fica bem contente quando agradeces o presente que ela te deu.”

 

Querem saber mais uma coisa óbvia: as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que por palavras vazias. Vamos, nós também, sair por aí falando coisas óbvias?!

Vamos ter paciência para repetir mil vezes que eles não devem mexer em tomada. Vamos falar com carinho que pular desse jeito no sofá é perigoso. Vamos lembrar a importância de comer os legumes.

E vamos também nos deliciar todas as vezes que os pequenos retribuírem esse cuidado e carinho nos dizendo o óbvio: que eles nos amam – assim como nós os amamos.

 

Ah! E deixem seus comentários, mesmo que óbvios, para eu saber se vocês concordam comigo! 😉

4 comentários em “Coisas que meu filho me ensina: o óbvio tem que ser dito

  1. Memo sendo óbvio e repetitivo: minha vida foi transformada com a tua chegada. Antes, nem lembro como era. Tudo ficou muito melhor.
    Sou mais, completa.
    Te amo.

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