Que toda mãe carrega uma boa carga de culpa não é novidade para ninguém. Basta digitar “culpa” no Google que ele automaticamente completa com “culpa de mãe”! A culpa é sim uma das confusões que rondam nossa cabeça. Querem ver só como a coisa acontece?

Semana passada, o Vinicius começou com uma febrinha. Começou na sexta à noite e, de madrugada, precisamos medicar. Não foi uma noite boa. Sábado de manhã, diferentemente do que normalmente acontece aqui em casa, acabamos ficando de molho na cama. Um pouco para repor a noite mal dormida, um pouco porque o mal estar do pequeno não tinha passado.

Vocês sabem quantos sábados eu fiquei na cama até as 11 h depois que virei mãe? Pouquíssimos! Não vou negar que estava gostando da preguiça, mas ela estava lá – a culpa – atormentando minha boa preguiça porque eu estava curtindo às custas da febre do meu filho.

Mesmo medicado, o filhote passou o final de semana todo caidinho, pedindo muito colo – pedindo colo o tempo todo, para ser mais exata. Como já não consigo ficar muito tempo com ele no colo (porque já são quase 13 quilos!), ficamos jogados no sofá.

Passar o final de semana no sofá, vendo filme e comendo pipoca era um programa recorrente na minha vida pré maternidade – adoro, adorava. Mas claro que a culpa de estar com um filho febril não me deixou aproveitar plenamente esse momento.

Eu já não sou uma super cozinheira – para falar a verdade, cozinhar não é meu programa favorito. Com um filho a tira colo, então, é ainda mais difícil! Resultado: só fiz coisas fáceis nesse finde – que eu pudesse pegar do freezer e colocar no forno. E a culpa por não oferecer a refeição mais saborosa e nutritiva do mundo para meu filho? Estava lá, presente!

Domingo à tarde a febre ainda persistia, então, levamos o filhote ao pronto atendimento. E a cara da enfermeira ao me ouvir dizer que ele estava com mais de 39º C desde o dia anterior? Era a minha culpa expressa nas palavras de outra pessoa!

Segunda ele ainda acordou ruizinho e não foi para o colégio. Eu acabei trabalhando de casa e, claro, tive que me dividir entre trabalho e filho. Acho que essa é a culpa mais recorrente entre as mães que conheço.

Faringite diagnosticada, criança medicada, remédio fazendo efeito, e o pequeno foi voltando ao normal. Não fez febre o dia todo, comeu bem, brincou. E o sol, finalmente, resolver aparecer por aqui – tínhamos que aproveitar! Fomos ao parquinho perto de casa. Ele estava brincando há uns 5 minutos, no máximo, tropeçou e caiu de boca no chão.

Vocês podem imaginar o nível estratosférico que chegou a minha culpa nesse momento: por que raios eu ousei sair de casa?

No dia seguinte, deixei o filhote no colégio – porque ele já estava bem melhor e a vida continua, afinal de contas. E ele ficou aos prantos – com a boca toda inchada (tadinho!). Enquanto eu corria para o trabalho, tentando não chegar atrasada na reunião marcada para aquela manhã, a culpa ia escorrendo pelo olhos, bem devagarinho.

Se a Disney/Pixar tivesse feito o filme “Divertida mente” se passando dentro da cabeça de uma mãe, certamente a Culpa seria umas das personagens principais. Sempre cutucando as outras emoções dentro do nosso “centro de controle”.

 

Não gosto muito da frase “junto com a mãe, nasce também a culpa”. Definitivamente, a culpa não é privilégio das mães. Mas não posso negar que, vira e mexe, ela toma o papel de protagonista em nossas cabeças. Pelo menos, que fique sempre por lá! Sem se espalhar pelo restante do nosso corpo, especialmente o coração. E que não chegue – nunca! – a atrapalhar o amor que nutrimos por nossos filhos.