Típica cena de sábados de manhã na minha casa: filhote na minha cama (ele está numa fase em que dorme a última horinha de sono – ou últimas horinhas de sono, dependendo da noite – na minha cama), começa a se remexer (nessa hora rezo para que seja só mais um sonho agitado do pequeno – puro desejo porque já sei que não é), quase que num salto ele se senta e coloca aquela mãozinha quentinha no meu rosto, dizendo: “Já tá de dia, mamãe!

Entendo bem o que essa frase quer dizer. Significa: acabou o sossego, os sábados de manhã nunca mais serão os mesmos de antes da maternidade, manda a preguiça para outro lugar que aqui ela não tem mais espaço.

E aí, meu bem, começa o dia! Sem dó nem piedade. Sabem como é? Pois é, eu também.

O que mais me intriga é que esse fenômeno só acontece nos finais de semana. Sábados de manhã. Domingos de manhã. Durante a semana, na grande maioria dos dias, eu é que tenho que acordar o pequeno para arrumá-lo para ir ao colégio.

E nem sempre é fácil! Tá bom, tá bom, sendo sincera: nunca é fácil. Normalmente uso uma tática que funciona muito bem com o pai do filhote – no caso, o meu príncipe – que podemos chamar de “acordar pela barriga”.

Eu sou uma daquelas pessoas que quando acorda, acorda e ponto. Mesmo quando não quero, se alguma coisa chama minha atenção – leia-se “filho” – eu desperto e é difícil voltar a dormir.

Meu príncipe não é assim. Depois que ele abre o olho, de manhã, ainda leva algum tempo – geralmente mais de uma hora – para acordar. E para acordar “mesmo”, ele precisa tomar um banho e comer alguma coisa.

Já disse que o Vinicius é a cara do pai? Pois é, durante a semana, acabo levando uma mamadeira para ele tomar na cama e acordar aos poucos, enquanto me arrumo. Mesmo assim já escuto o tradicional: “Posso dormir mais um pouquinho?” quase que diariamente.

E aí, não consigo impedir, fico secretamente – e às vezes declaradamente mesmo – desejando que essa preguiça apareça nos sábados de manhã E nos domingos, quando vou poder responder: “Sim, meu amor! Vamos dormir mais um pouquinho!”.

Adivinhem se é assim que acontece? Claro que não! Posso contar nos dedos da mão – sim, no singular – quantos finais de semana pude ficar na cama até mais tarde depois que o pequeno entrou para nossa vida.

É engraçado perceber como essa questão de dia x noite funciona na cabecinha dele. Desde muito cedo, provavelmente desde sempre, eu digo para ele que se dorme de noite e se brinca durante o dia. Esse papo começou quando ele era recém-nascido e queríamos voltar a dormir à noite, pelo menos mais de duas horas seguidas.

Mas o fato é que esse conceito deve ter ficado bem gravado, porque atualmente ele solta umas assim: “Ai, mamãe… já tá ficando de noite. Vamos ter que dormir de novo!” (ainda estou estudando se esse “de novo” se refere a “outra noite” ou a “outra soneca”, porque o Vini ainda dorme depois do almoço).

Agora o que está claro é que ele faz uma relação de oposição entre brincar x dormir. Imagino que seja essa mesma relação que ele faça quando me acorda, num sábado, às 7:00 da manhã.

– Já tá de dia, mamãe.
– Eu sei que já está de dia, filho, mas quero dormir mais um pouquinho.
– Mas já tá de dia! Acorda!
– Tá bom, tô acordada. (tentado abrir os olhos e olhar para o serzinho falante)
– Mas já tá de dia! Levanta! (entenderam, né? Não adianta estar acordada, é preciso estar a postos para começar a brincadeira)

Pelo menos nesses dias frios, tenho conseguido que a brincadeira comece na cama e ficamos um tempinho nos curtindo por ali mesmo. Tem beijo de bom dia na mamãe, no papai, para a Loly. Tem histórias do que aconteceu no colégio e do que ele quer que fazer no finde. Tem retrospectiva dos melhores momentos dos filmes preferidos. Tem lista de todas as pessoas da família com quem ele quer falar pelo computador…

Alguém aí disse que mãe de menina é que sofre com a falação? Eu sou mãe de menino, mas o meu fala desde que acorda até a hora que dorme! (e às vezes até dormindo, como gosta de destacar o pai).

Ainda lançamos mão de alguns artifícios como café da manhã na cama e filminho debaixo da coberta (santo Netflix!). E depois de toda essa maratona, consigo levantar já cansada, no máximo, às 9:00. E ainda temos todo o final de semana pela frente!

 

Como são os sábados de manhã por aí?

Esse fenômeno também acontece na casa de vocês? Comentem aí embaixo e sintam-se todas abraçadas!